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3 de dez de 2012

Fatos históricos de “aniversário”



1902 – início do governo de Campos Sales
Um governo marcado por um momento de prosperidade que pode ser percebido nas várias obras públicas que modernizaram a cidade do Rio de Janeiro. Com o auxílio do prefeito carioca Pereira Passos, o governo empreendeu uma grande reforma dos bairros e ruas da antiga capital federal inspirada nos padrões dos modernos centros urbanos europeus. Contudo, esse projeto de modernização foi realizado graças a uma série de desapropriações que expulsaram as populações pobres do Rio de Janeiro de seus casebres e cortiços, gerando a Revolta da Vacina(situação agravada pela lei de vacinação obrigatória).
1902 – fim da Guerra dos Boeres
A vitória da Inglaterra marca o fim dessa guerra que inclusive de acordo com alguns historiadores iniciou com métodos empregados fortemente posteriormente como o campo de concentração.
É um conflito resultante da ação imperialista inglesa no continente africano.

1912 – início da Guerra do Contestado
Conflito messiânico que se prolongou até 1916. Quem vai prestar vestibular especialmente na UFSC, vai aparecer, se não for em história é em literatura.
1912 – Titanic naufraga
Titanic, na sua viagem inaugural, choca com um iceberg e, cerca de 2h30 depois, já no dia 15 de Abril, desaparece no oceano. No naufrágio morreram mais de 1500 pessoas. A historia desse navio pode ser relacionada com a mentalidade do europeu na época, onde o homem acreditava que era capaz de tudo, superar todos os obstáculos, desafiar perigos, a superioridade do branco europeu.

1922 – Semana de arte moderna e tenentismo
Dois acontecimentos marcantes durante os anos de 1922 que podem aparecer nas provas de história, assim como a própria fundação do Partido Comunista Brasileiro, também em 1922.
1922 – ocorreu a marcha sobre Roma, uma manifestação de força que levou o fascismo ao poder na Itália. Também pode-se destacar Joseph Stalin que foi eleito em 3 de abril de 1922 secretário-geral do Partido Comunista Bolchevique por ocasião do XI Congresso do Partido em Moscou.

1932 – Eclodiu a Revolução Constitucionalista em São Paulo (questão que já apareceu em alguns vestibulares esse ano)
1932 – Salazar se torna primeiro-ministro de Portugal e Franklin Roosevelt é eleito presidente dos EUA (ele seria reeleito em 1936, 1940 e 1944). Ocorreu também a guerra do Chaco entre Bolívia e Paraguai.

1942 – Brasil na era Vargas rompe relações com o Eixo para logo na sequencia realizar a declaração de guerra.
1942 – Avanço do Eixo. Potencias nazi-fascistas estão no seu auge. Mas logo em 1943 perdem o folego, iniciando a virada aliada.

1952 – Presidente Getúlio Vargas sanciona a lei, que cria o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
1952 – é criada a Comunidade Européia do Carvão e do Aço, embrião da futura União Européia, os EUA encerram a ocupação das quatro principais ilhas do Japão.

1962 – Governo de João Goulart na sua fase parlamentarista, onde Jango busca apoio político para o plebiscito que será realizado em janeiro de 1963.
1962 – Crise dos mísseis cubanos.

1972 – Inicio da Guerrilha do Araguaia e inauguração do primeiro trecho da transamazônica, durante o governo Médici.
1972 – Ataque terrorista nas olimpíadas de Munique levando a morte alguns membros da delegação israelense.
1982 – São realizadas as eleições diretas para governadores, senadores, prefeitos, deputados federais e deputados estaduais. A maior hidrelétrica do mundo, Usina Hidrelétrica de Itaipu, é inaugurada pelos presidentes João Figueiredo, do Brasil, e Alfredo Stroessner, do Paraguai.
1982 – Continuidade da invasão da URSS no Afeganistão, conflito que durou de 1979 até a retirada final em 1989.

1992 – Manifestantes, do movimento dos Caras-Pintadas, saem às ruas de todo o país para pedir a saída do presidente Fernando Collor de Mello. Aconteceu a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, mais conhecida como a ECO-92, realizada no Rio de Janeiro. A Polícia Militar do Estado de São Paulo, liderada pelo coronel Ubiratan Guimarães, mata 111 presos durante a rebelião, na Casa de Detenção, na cidade de São Paulo, no que ficou conhecido como o massacre do Carandiru.
1992 – Nos Balcãs, sérvios, croatas e muçulmanos lutam entre si na Guerra da Bósnia; no Peru, o então presidente Alberto Fujimori fecha o Congresso e dá golpe de Estado com apoio de militares; nos EUA, a comunidade negra de Los Angeles se revolta após a absolvição de policiais brancos que espancam o motorista Rodney King; Bill Clinton derrota George Bush e vira novo presidente.

2002 – A eleição presidencial brasileira de 2002 ocorreu em dois turnos. O primeiro aconteceu em 6 de outubro de 2002 e o segundo, no dia 27 do mesmo mês. Após três tentativas frustradas, Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), conseguiu eleger-se presidente com quase 53 milhões de votos.
2002 – Em abril de 2001, os timorenses foram às urnas para a escolha do novo líder do país. As eleições consagraram Xanana Gusmão como o novo presidente timorense e, em 20 de maio de 2002, Timor-Leste tornou-se totalmente independente antes de Portugal, agora da Indonésia.

17 de out de 2012

Lei Eusébio de Queirós



Dom Pedro, por graça de Deus e unânime aclamação dos povos, imperador constitucional e defensor perpétuo do Brasil. Fazemos saber a todos os nossos súditos, que a Assembleia Geral decretou, e nós queremos a lei seguinte:
Art. 1: As embarcações brasileiras encontradas em qualquer parte, e as estrangeiras encontradas nos portos, enseadas, ancoradouros ou mares territoriais do Brasil, tendo a seu bordo escravos, cuja importação é proibida pela lei de 7 de novembro de 1831, ou havendo-os desembarcado, serão apreendidas pelas autoridades, ou pelos navios de guerra brasileiros, e consideradas importadoras de escravos. Aquelas que não tiverem escravos a bordo, nem os houverem proximamente desembarcado, porém que se encontrarem com os sinais de se empregarem no tráfego de escravos, serão igualmente apreendidas e consideradas em tentativa de importação de escravos.
                O primeiro artigo da Lei Eusébio de Queirós deixa claro a posição do Império, representado por Dom Pedro II, de extinguir o tráfico internacional de escravos. Declara que todas as embarcações brasileiras e estrangeiras que realizam esse tipo de negócio, devem ser apreendidas, assim como aquelas que possuem sinais de terem realizado tráfico de escravos.
                O primeiro artigo da Lei Eusébio de Queirós faz menção a Lei Feijó de 7 de novembro de 1831. A primeira lei brasileira com o objetivo de reprimir o tráfico de escravos no país. Na prática ela nunca saiu do papel, constituindo-se apenas como uma demonstração abstrata à coroa britânica, que liderava a campanha abolicionista internacional, de que o Brasil tinha interesse em contribuir com a extinção do tráfico internacional de escravos africanos. É por conta desse contexto, que surgiu a famosa expressão "lei para inglês ver".
Art. 3: São autores do crime de importação de escravos, ou de tentativa dessa importação, o dono, o capitão ou mestre, o piloto e o contramestre da embarcação e o sobrecarga. São cúmplices a equipagem e os que coadunarem o desembarque de escravos no território brasileiro ou que concorrerem para os ocultar ao conhecimento da autoridade, ou para subtrair à apreensão no mar, ou em ato de desembarque, sendo perseguidos.
                O terceiro artigo fala sobre os autores do crime de trafico internacional de escravos bem como seus cumplices.
Art. 4: A importação de escravo no território do Império fica nele considerada como pirataria, e será punida pelos seus tribunais com as penas declaradas no artigo segundo da lei de 7 de novembro de 1831. A tentativa e a cumplicidade serão punidas segundo as regras dos artigos 34 e 35 do Código Criminal.
                O quarto artigo faz referencia novamente a Lei Feijó, desta vez no que diz respeito as punições para quem realiza o trafico interno de escravos, prática que a partir de então fica sendo considerada como pirataria.
Art. 6: Todos os escravos que forem apreendidos serão reexportados por conta do Estado para os portos donde tiverem vindo, ou para qualquer outro ponto fora do Império, que mais conveniente parecer ao governo, e enquanto essa reexportação se não verificar, serão empregados em trabalho debaixo da tutela do governo, não sendo em caso algum concedidos os seus serviços a particulares.
                O sexto artigo se refere ao que irá acontecer com a carga apreendida. Deveriam ser enviadas para o seu local de origem, ou para onde for conveniente para o Estado (que deveria arcar com os custos dessa viagem). Enquanto isso não acontece podem ser utilizados como mão de obra do Estado.
Art. 7: Não se darão passaportes aos navios mercantes para os portos da Costa d'África sem que seus donos, capitães ou mestres tenham assinado termo de não receberem a bordo deles escravo algum; prestando o dono fiança de uma quantia igual ao valor do navio, e carga, a qual fiança só será levantada se dentro de dezoito meses provar que foi exatamente cumprido aquilo a que se obrigou no termo.
                O sétimo artigo fala sobre restrições aos navios mercantes cujos responsáveis não se comprometerem a cumprir com a lei.
                Enfim, aprovada em 4 de setembro de 1850, a Lei Eusébio de Queiros vem para proporcionar um passo importante no que diz respeito ao fim da escravidão no Brasil. Claro que seus resultados não foram imediatos, afinal de contas nos anos posteriores ainda se encontra o contrabando de escravos para o Brasil. Quando a questão da mão de obra se tornou mais grave, ocorreu o incremento do tráfico interno, onde escravos eram deslocados para províncias como o Rio de Janeiro e São Paulo, áreas produtoras de café. Somente com o passar do tempo passamos a ter no Brasil uma imigração com mais força, mas isso será tratado em um outro momento.

16 de set de 2012

Revolução Farroupilha



O Rio Grande do Sul possuía duas grandes importâncias, especialmente no século XIX. Servir como “curral” era uma delas, ou seja, abastecimento de carne sob a forma de charque para o restante do país. Outra importância era a de “sentinela”, onde a província do extremo-sul do Brasil deveria proteger as fronteiras brasileiras contra os países do prata. A história do Rio Grande do Sul é marcada por esses dois elementos, em uma convergência dos dois pontos temos as estâncias, propriedades destinadas a criação de gado mas que também serviam para ocupar a terra e protege-la.
Levando em consideração esse passado histórico, essa formação do continente de São Pedro, dentro de um contexto do século XIX, logicamente o Rio Grande do Sul possuía uma grande importância, que de acordo com alguns líderes de época não estava sendo respeitada. Durante o Primeiro Reinado e Regência, vários impostos impediam a ampliação dos lucros dos fazendeiros sulistas em consequência do encarecimento do preço final do charque gaúcho. Não bastando os entraves tributários, a concorrência comercial dos produtos da região platina colocou a economia pecuarista gaúcha em uma situação insustentável. Buscando acordo com o governo central, os estancieiros gaúchos exigiam a tomada de medidas governamentais que pelo menos garantissem o monopólio sulista sob o comércio do charque.
Em 1835 nas passagens de 19 para 20 de setembro aconteceu o primeiro combate na ponte da Azenha no dia seguinte Porto Alegre abandonada, sem resistência, entregou-se aos revolucionários. No resto da província apenas alguns focos de resistência em Rio Pardo e São Gabriel, além de Rio Grande, mantinham os farroupilhas ocupados. Iniciava assim a mais longa revolta brasileira. Tem que se destacar que a Revolução Farroupilha não foi inicialmente separatista, um exemplo disso é a carta enviada por Bento Gonçalves no dia 25 de setembro de 1835 para Diogo Feijó explicando os motivos da revolta e solicitando um novo presidente de província assim como novo comandante das armas, para os revoltosos estava tudo resolvido assim.
O Império contra-ataca, nomeia um novo presidente de província que vem para o Rio Grande do Sul com um verdadeiro aparato de guerra. Os revoltosos encararam essa atitude como uma declaração de guerra. Na sequencia Porto Alegre foi retomada pelos imperiais. Os farrapos por diversas vezes tentaram ocupar novamente a capital, mas sem sucesso, hoje ela tem no seu brasão os dizeres “leal e valorosa” por ser um grande foco anti-farrapo ao longo do conflito.
Frente ao melhor tratamento desejado pelos farrapos e negado pelo império, após a vitória na batalha do Seival o General Antonio de Souza Netto proclamou a República Rio-grandense. Com isso podemos falar a respeito da falência da Revolta farroupilha para a Guerra dos Farrapos, afinal de contas agora não se tratava mais de uma luta de revoltosos em busca de justiça, mas uma guerra de exército defensor (republicano) contra exército agressor (imperial), não lutavam mais por reconhecimento e atenção, mas pela defesa da independência e soberania de seu país. Bento Gonçalves não estava presente na proclamação da República, sabendo do acontecido parte do cerco à Porto Alegre em direção a posição do Gen. Netto, no entanto na travessia do Jacuí, Bento Gonçalves foi feito prisioneiro após a Batalha do Fanfa.
Até 1842 podemos falar em um avanço farroupilha. Durante esse período foi proclamada a República Juliana, por Davi Canabarro e Giusepe Garibaldi. Existia a necessidade de um porto e como Porto Alegre e Rio Grande estavam barrados por tropas imperiais a única saída encontrada pelos farrapos foi a cidade de Laguna, em Santa Catarina. Existia a necessidade de escoar o charque, afinal de contas, seus recursos mantinham a luta. Nos anos de 1842 assumiu a presidência da Província, Luis Alves de Lima e Silva, então Barão de Caxias (hoje Duque). A partir desse momento, o Império, representado por Barão de Caxias, passou a liquidar com a Revolução Farroupilha, através da diplomacia e de ações de guerra.
Não se pode ter a mesma atitude contra a Guerra do Farrapos, como a Cabanagem, por exemplo, afinal de contas a revolução que aconteceu no Sul foi dirigida por uma elite senhora de terras e escravos e que assim que chegar o fim do conflito, o Império vai necessitar dessa elite para manter suas fronteiras e travar suas guerras contra Oribe e Rosas, contra Aguirre e até mesmo no Paraguai, onde alguns veteranos farrapos lutaram.
Nos anos de 1845, em primeiro de março, foi assinado a Paz de Ponche Verde, chamada “paz honrosa” pelo fato de muitos desejos farrapos terem sido atendidos, como por exemplo a anistia, incorporação do exército farroupilha ao imperial, devolução de terras, taxação sobre o charque platino, redução dos impostos sobre o sal e liberdade para os escravos que lutaram pela revolução. Claro que sobre a questão dos escravos, antes do fim, tivemos a batalha de porongos, onde o corpo de lanceiros negros foi cercado pelas tropas imperiais e dizimados, muito se diz, com o conhecimento de Davi Canabarro.

18 de jul de 2012

A Desobediência Civil - Henry David Thoreau

A pedido deixo o link do Portal Domínio Público onde esta presente o texto. É curtinho, mas vale a pena ler. Para quem gosta do cheiro de papel, em qualquer sebo, biblioteca e até mesmo supermercados e rodoviárias (aqueles que vende lógico) tem.
No mais, boa leitura :D

http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cv000019.pdf

2 de jul de 2012

Se a boa escola é a que reprova, o bom hospital é o que mata

 Um ótimo texto sobre um livro que faz alguns pensamentos interessantes...

APRESENTAÇÃO A obra possui dezesseis capítulos, com tendência multidisciplinar, constatando que sem auto-estima, há maior dificuldade de se assimilar conceitos, ainda mais conceitos novos que o sistema educacional vem propondo.

CAPÍTULO I: “A FALÁCIA DA CURVA DE GAUSS” Inicia avaliando o uso da curva de Gauss como sitematizadora da situação dos alunos na qual os bem dotados estão acima, e, os menos dotados abaixo. O que embasa que em avaliações normais há reprovação para os abaixo da curva. Tal processo avaliativo dito normal não averigua fatores como a criatividade do sujeito, o tempo gasto, e o ser humano envolvido na situação. A postura científica da curva de Gauss não deve se aplicar a educação, pois tende a coisificá-la e a justificar o conceito de “reprovar com justiça”. A pessoa humana martela a curva com suas diversas virtudes, diversos tipos de inteligência.

CAPÍTULO II: “AMASSANDO A CURVA” Sugere que a competição começa com o professor no objetivo e classificar o aluno ao invés de tentar levar a todos a atingir o conhecimento. Mostrando a problemática de pouco tempo para a grande carga de conteúdo. Expõe que a educação vem sendo enterrada pela normatização e uniformização com padrões rígidos quanto à temporalidade da formação. Faz uma analogia com o tempo de aprendizado e tempo de cura, mostrando que ambos os casos contam com diferenças individuais e que tanto a convalescença quanto o aprendizado não obedecem a padrões de tempo pré-estipulados. O importante é chegar ao destino e não o tempo que se gasta para tal. O importante é tentar várias vias, várias formas de aprender, mas sempre tentar. Cita o sistema do escotismo, criado por Baden Pawel em que o grupo fica livre, mas que em determinada hora o estabelecido deveria estar pronto para a inspeção do campo e formatura para a bandeira. Considera que estabelecer competição é dizer que independente do esforço, grupos de menor experiência não tem premiação, ou mesmo, não tem tanto valor quanto os bons. Esse tipo de padrão competitivo é uma fábrica de desanimados. Quem ensina deve centrar no aprendizado da maior parte do grupo possível.

CAPÍTULO III: “O CURRÍCULO MATA” A vivência profissional não envolve somente o currículo escolar, mas a experiência de vida. Segundo o dito latino: “Non scholae sed vitae discimus”, não aprendemos para a escola, mas para a vida. O grande problema da escola é que se decora para testes, aprendem-se macetes, dribla-se a avaliação. Preparar-se para a vida fica em plano secundário ou mesmo esquecido. Nas palavras do autor: “... estudou coisas enormes, quantidades que não cabiam em cadernos e quantos livros você foi obrigado a comprar e nunca usou...” A maioria dos assuntos pesquisados não tem oportunidade de ser usado na vida, e quanto tempo é perdido enquanto poderia estar se estudando o que se gosta. Os pilares da escola são: currículo, programa e nota; Em detrimento ao saber e ao deleite humano. Chega-se a necessitar de um bisturi pedagógico que corte fundo. O currículo tem que abranger leitura, visitas, relatórios, observações e movimento. É importante o cuidado de perceber a necessidade de disciplinas novas, lecionando coisas diferentes. Transcrevendo literalmente: “Cada disciplina é ministrada para atender à corporação dos docentes, enquanto a sociedade é muito maior que a corporação de docentes”. A educação tem que servir à sociedade.

CAPÍTULO IV: “A QUANTIDADE SATURA” Ministrar muito conteúdo leva ao desanimo e a completa entrega diante das dificuldades, pois as mesmas parecem impossíveis de serem superadas. O estudo que deve ser um processo de renovação pessoal passa a ser uma tortura da inteligência. Observa-se o aluno a aprender o que gosta e o que não gosta, o que é necessário e o absolutamente desnecessário, o atualizado e o desatualizado. A função de enxugar o conteúdo é do professor. Mas, o professor também está marcado pela saturação das quantidades, ele foi formado em um sistema onde o mestre é o agente de uma sociedade a favor de uma elitização. Perpetua-se os erros, porque assim que foram ensinados e nunca se ensinou a respeito do questionamento que é feito. O limite humano é dado pelo tamanho das idéias.

CAPÍTULO V: “O QUE É QUALIDADE?” Segundo o autor qualidade é a linguagem da moda que incorpora conceitos e depois critica-os. Alguns ainda usam o termo reciclagem profissional como que a aproveitar o lixo intelectual. O grande problema da quantidade é a insuficiência das ferramentas disponíveis. Não adianta conceituação e sistematização sem a presença do elemento humano. Um grande acontecimento educacional é quando dois seres se encontram e suas idéias se chocam, tais seres se tornam diferentes e é imprevisível o que poderá suceder a cada um. A excelência humana é mais completa que a excelência acadêmica. E, a verdadeira qualidade em educação depende é da qualidade humana. Se eficiência é fazer bem feito, eficácia é fazer o que deve ser feito. Só eficiência não basta, é preciso ter eficácia, fazer o que deve ser feito.

CAPÍTULO VI: “A UTILIDADE ANIMA” Quando alguém percebe que faz coisas úteis, melhora sua auto-estima e a alegria anima todo o seu organismo. O amargor não cura, a vida tem seus dissabores, mas aumentar os que já existem é um contra-senso. Deve-se tirar o que não é útil do programa para proporcionar um conhecimento com prazer.

CAPÍTULO VII: “A ATUALIZAÇÃO MOTIVA” Estudar conteúdos atuais é motivador porque existe uma relação imediata com a realidade da vida. O autor denomina os professores arcaicos de “professauros” e usa a máxima: “Quem não se atualiza, fossiliza-se”.

CAPÍTULO VIII: “A REPROVAÇÃO COMPROMETE A INSTITUIÇÃO” Diante da reprovação o aluno é colocado como grande culpado do seu fracasso. Com a reprovação como tradição, a escola serve mais para impedir o sujeito do que para promovê-lo. Tal fato deixa a libertação proposta por diversos sistemas de educação restrita ao papel, pois não efetiva mudanças no curriculum ou no programa. Mediante a visão da escola, não importa o tipo de cidadão que é capaz de formar, mas a capacidade que tem de promover um estudante, mesmo que ele passe por cima dos demais, de acordo com uma competitividade selvagem aprendida entre muros, entre os muros da escola. Segundo a obra: “A reprovação está dentro de um contexto, não se trata de um fato isolado. São culpa da escola, do aluno, da família e do sistema.” O grande problema da maioria dos professores é que a matéria prima pode não reagir porque não tem vontade, mas os alunos são seres humanos e podem dizer que concordam ou não. Se o aluno diz não a algum conteúdo é sempre culpado por não aprender, por não querer aprender. Os demais isentam-se da culpa que é toda lançada nele. A reprovação é sempre mais um problema de “ensinagem” do que de aprendizagem.

CAPÍTULO IX: “OS PONTOS FORTES DOS ALUNOS” “O papel do professor é buscar os pontos fortes dos alunos.” – Santo Agostinho; Quando o professor busca o ponto fraco do aluno, ele mesmo se sente frustado. É preciso promover mais e recriminar menos. Os professores, de um modo geral, assinalam o erro e rabiscam bem o que está errado com canetas especiais para chamar atenção sobre o erro. Tal método perde a força de fixação acerca do acerto. Até a família foi sugestionada de tal forma, e querem que o professor marque o erro e corrija. O professor deve apenas escrever a forma correta. Ninguém precisa aprender sofrendo.

CAPÍTULO X: “A ESCOLA DO FUTURO” Terá que lidar com a questão do virtual e uma possível redução das manifestações humanas. Com o mundo virtual também será mais fácil aprender. Deve-se humanizar o novo contexto para não haver perda da que existe de precioso na humanidade: a capacidade de distinção entre o ser e o não ser. O autor relata que a escola do futuro vai requerer dos educadores uma transformação na linha da humanização. As inteligências múltiplas deverão ser desenvolvidas para embasar as pessoas para lidarem com situações imprevisíveis.

CAPÍTULO XI: “MUDANDO PARADIGMAS” Os paradigmas dão segurança em relação ao passado e criam o medo em relação ao novo. É a ótica do negativo que justifica o título da obra. O fato de considerarem a reprovação como meta, de não cultivar o prazer de estar na escola. Existem muitos paradigmas em relação à educação, que se instalaram e não auxiliam o aprendizado. Alguns deles são: seriação, nota, bimestre letivo, dependência, recuperação, dentre outros. Há professores que se realizam nesse conceito para pagar, sem perceber, tributos aos paradigmas do passado. Nas palavras do autor: “O que serve fica de lado, o que não serve e ajuda nas reprovações, retenções e dependências são usadas à larga porque muitos ainda pensam que a boa escola é a que reprova, como se o bom hospital fosse aquele que matasse”. A escola não pode mais depender dos medrosos que fogem da ousadia de viver.

CAPÍTULO XII: “SOMBREAMENTO” Algumas instituições classificam os acadêmicos de acordo com o nível do que deixou de aprende, o que é entendido como sobreamento. Não basta ser humano, o código lingüístico tem que acompanhar, pois como se pensa influi em como se fala e o modo de falar é a expressão da própria vida.

CAPÍTULO XIII: “ABATIMENTO” Um professor não pode se mostrar abatido, pois, abatimento é um sintoma grave que acaba sendo transferido para o aluno, que por sua vez, transfere para o conteúdo ministrado. Assim, os alunos passam a achar sem saber as razões, que a escola é insuportável, chata, um lugar a ser evitado. Uma postura de desânimo expulsa os alunos da escola, pois os mesmos se entediam com a lamúria.

CAPÍTULO XIV: “PROSTRAÇÃO” “Abracei o vento como último momento na praia e fui dormir tendo o nada como companhia”. Cada profissão tem seu padrão de realização, assim como o circense se nutre com a platéia. O professor não pode e não deve nutrir-se no nada, deve nutrir-se do prazer de ver o que ensinou; De perceber que preparou os seres humanos para o imprevisível do amanhã, ensinando pessoas a entender as demais em busca de soluções.

CAPÍTULO XV: “ÂNIMO E PERSISTÊNCIA” “Temos primeiro que compreender que não há vida sem risco – e que quando nossa alma é forte, tudo mais é secundário, até os riscos”. – Elie Wiesel (sobrevivente do Holocausto). O autor defende a necessidade da existência e adoção de valores, ressaltando que é fundamental focar em um objetivo. Pois, sem valores não se chega à parte alguma, ou ainda aonde o vento levar se houver vento. Uma solução diante da divergência de opiniões é a democracia por possibilitar a vida de forma mais harmônica em meio ao pluralismo. Viver o plural não precisa ser uma guerra de oponentes, mas uma resultante de sensatez. O capitalismo termina com a sentença: “A escola precisa ser pensada na linha da informação, da criatividade, da intuição e do sonho”.

CAPÍTULO XVI: “EDUCAÇÃO GERADA NA ESPERANÇA” A esperança dá a certeza, a certeza de que os problemas podem ser superados mediante a uma postura de metas claras. Uma saída para os problemas educacionais está em estabelecer metas claras e saber os valores nos quais embasar-se e escolher os valores adotados que guiarão as ações. A alegria deve aliar-se a felicidade que é capaz de promover a realização. Segundo Einstein, se o sujeito faz parte do universo, quando o mesmo cresce, o universo todo cresce com ele.

REFERÊNCIA:
TEXTO RETIRADO DE: www.http://mayralopes.blogspot.com.br acessado em 02/07/2012 as 16:20

24 de abr de 2012

Os Labirintos de Clio

A deusa Clio repousa em seu templo no Monte Paranaso. De vez em quando, ela desce à cidade dos homens espalhando seu enlevo inebriante sobre os simples mortais. Estes, movidos pelo toque celeste, destinam-se à morada de sua musa. A jornada é longa e cansativa. Muitos desistem pelo caminho, atropelados por espinhos, pedras, chuvas, tempestades em copos d’água, descidas e quedas (muitas quedas!). Mas outros resistem a tantas intempéries provocadas intencionalmente por Cronos. Este, por sua vez é implacável. Presenteia os heróis da resistência com um labirinto. Ainda a tempo de voltar! Alguns hesitam diante daquele lugar misterioso e resolvem seguir a trilha de uma parca existência, mergulhada numa tranqüilidade angustiante dos tempos de Adão e Eva sem contato com o fruto proibido. Essa pueril inocência, ou mesmo simples e decepcionante desatino, não é próprio dos poucos seres que restaram. Estes também param, mas não para hesitar/voltar e sim a para refletir, traçar estratégias de sobrevivência para aquelas passagens tortuosas que dificultam a saída que os conduzirá ao templo de Clio. Eles adentram o labirinto. Dividem-se, magnetizados e atraídos por caminhos que os conduzem coniventemente [...] Cronos continua agindo nessas passagens oblíquas entorpecendo nossos heróis com suas intempéries, mas é surpreendido com a força vital desses seres que realizam uma ioga obstinada propiciando a liberação de suas mônadas quando estes, finalmente saem do labirinto e se encontram com a musa Clio. Como prêmio, a serena musa, filha dileta de Zeus e Mnemósine, agracia seus visitantes/discípulos com o título de historiadores e, com o estilete da escrita, fixa em narrativa os seus nomes no panteão da História. Como se não bastasse, esses jovens historiadores passam também a ser vocatizados através do fruto de seus conhecimentos gerados durante a travessia pelo labirinto, fato esse que recebe notoriedade através da trombeta da fama de Clio.” Retirado da Introdução do (ótimo) livro “Labirintos de Clio – práticas de pesquisa em História”, de Demetrios Gomes Galvão, Elimária Costa Marques, Fauston Negreiros, José Gerardo Vaconcelos, José Luís de Oliveira e Silva, Joseanne Zingleara Soares Marinho, Márcio Iglesias Araújo Silva, Nalva Maria Rodrigues de Sousa, Olívia Candeia Lima Rocha, Raimundo Nonato Lima dos Santos, Roberto kennedy gomes Franco, Samara Mendes Araújo Silva, Vivian de Aquino Silva Brandim. fonte: http://cafehistoria.ning.com/group/clioamusadahistria

GABARITO - PROVAS SANTA MARIA

1º ANO 1.D 2.E 3.D 4.B 5.E 6.C 7.C 8.B 9.C 10.D 11.E 12.B 13.D 14.E 15.D 16.C 17.C 18.A 19.C 20.C 2º ANO 1 - D 2 - C 3 - D 4 - E 5 - B 6 - D 7 - 12 8 - A 9 - 26 10 - E 11 - B 12 - D 13 - B 14 - A 15 – C 16 – E 17 – B 18 – E 19 – B 20 – E 3º ANO 1.A 2.C 3.E 4.B 5.B 6.E 7.A 8.C 9.C 10.B 11.B 12.B 13.C 14.D 15.A 16.E 17.D 18.D 19.D

22 de abr de 2012

Unificações Tardias: Itália e Alemanha

Entre os séculos XIV e XVI, em várias regiões da Europa houve forte centralização do poder. Comandado pelos reis, esse processo deu origem às monarquias absolutas e foi responsável pela formação dos Estados Modernos. Posteriormente, esses Estados passaram por profundas transformações. Em todos eles, o regime de poder altamente centralizado foi substituído por formas constitucionais de organização de governo. Mas a unidade do território sobre o qual o poder público exercia sua soberania desde a época das monarquias absolutas continuou sendo uma das bases mais sólidas para a formação dos atuais Estados europeus. Até meado do século XIX, duas grandes regiões da Europa, com relativa identidade cultural, ficaram à margem do processo de unificação: a península Itálica e os reinos e principados que haviam sido dominados pelo antigo Império Romano-Germânico. No decorrer da segunda metade do século XIX, porém, um vigoroso nacionalismo começou a se afirmar nas duas regiões. Como consequência, os interesses nacionais acabaram prevalecendo sobre as diferenças políticas, sociais e culturais, o que tornou possível, nos dois casos, unir povos muito diferentes na tarefa comum de construir novas nações(DIVALDE, 2004). Unificação italiana Na primeira metade do século XIX a atual Itália encontrava-se dividida politicamente, abrigava pequenos Estados, alguns com certa autonomia, mas grande parte submetida ao domínio austríaco. Em 1831, Giuseppe Mazzini fundou o movimento Jovem Itália que desejava um levante popular contra o domínio estrangeiro e também contra os Estados da Igreja. A partir de 1848 inicia-se a luta direta em favor da unificação, no entanto com duas correntes. De um lado os republicanos encabeçados por Giuseppe Garibaldi e de outro, os monarquistas liderados pelo primeiro-ministro de Piemonte-Sardenha. Conde Cavour. Os monarquistas iniciaram o processo de unificação a partir do norte da península itálica lutando contra o domínio austríaco, com apoio de Napoleão III da França que retirou esse apoio quando a luta pela unificação alcançou Roma. Pelo sul da península partiu Giuseppe Garibaldi com seu exército de revolucionários, os camisas vermelhas, que conquistaram diversas regiões como as Sicílias e os Estados Pontifícios. Vitor-Emanuel II foi proclamado rei da Itália em 1861, mas a Itália não estava totalmente unificada, Veneza foi conquistada em 1866 e Roma apenas em 1870 (vale lembrar que Napoleão III retirou seus soldados que protegiam Roma em virtude da eclosão da Guerra Franco-Prussiana). Em 1871 Roma se tornou a capital da Itália. Mas a unificação não significou o fim dos problemas, temos a Questão Romana. Com o processo de unificação concluído, o papa Pio IX declarou-se “prisioneiro” do Estado italiano, questão resolvida apenas em 1929 com o Tratado de Latrão realizado entre Mussolini e papa Pio XI, quando foi criado o Estado do Vaticano, dentro de Roma. Unificação Alemã Na Alemanha, o processo de unificação seguiu outro rumo. Um passo importante foi a criação de uma aliança aduaneira e comercial, chamada Zollverein. Essa aliança foi criada em 1834 sob liderança da Prússia (industrial, visava o estabelecimento de um Estado Germânico unificado), não incluía a Áustria (monarquia agrária, sem muitos vínculos com a industrialização). O estabelecimento dessa aliança aduaneira dinamizou o capitalismo prussiano, permitindo a ampliação do seu parque industrial, construção de uma malha ferroviária grandiosa, modernizou a sua economia. A partir de 1861, com a coroação de Guilherme I e a liderança de Otto von Bismarck (chanceler da Prússia) a ideia de unificação ganha forma. “A Alemanha será forjada a ferro e fogo” dizia Bismarck. Ferro a partir da sua força industrial que ganhou impulso com o zollverein e a frente desse processo estava a Prússia, assim como no caso do fogo, onde a Prússia participou de diversos conflitos os quais tem uma importância crucial no processo de unificação. Em 1864 temos a Guerra dos Ducados entre Prússia e Dinamarca disputando os ducados de Holstein e Schleswig, com maior parte da população sendo alemã. Logo na sequência em 1866 temos a Guerra Austro-prussiana, também chamada de Guerra Civil Alemã ou Guerra das Sete Semanas onde a Prússia disputou com a Áustria a administração dos ducados anexados no conflito anterior, com esse novo conflito, os Estados do norte da Alemanha foram unificados. Como último passo restava apenas a anexação dos Estados do sul, para isso Bismarck forçou a guerra contra a França, era a Guerra Franco-prussiana, onde os estados alemãe, agora unificados venceram os franceses. Ao final da guerra o governo francês se viu obrigado a arcar com uma dívida de guerra de 5 bilhões de francos e ceder os territórios de Alsácia e Lorena, áreas extremamente ricas em minério de ferro e carvão. Surgiu assim uma nova potência no continente europeu capaz de abalar o equilíbrio do velho mundo, elementos que levaram ao primeiro conflito mundial.